segunda-feira, 5 de abril de 2010

LEGADO DE PAIXÃO


Primeiro romance escrito por Diedra Roiz.  Foi postado pela primeira vez de Dezembro de 2007 a Janeiro de 2008.





LEGADO DE PAIXÃO
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Lembrando que... Copiar o texto e apenas trocar o nome das personagens e/ou detalhes da história não é fanfiction, muito menos adaptação, é plágio. E plágio é crime! Por favor, não façam isso, ok?




SINOPSE:
Uma herança inesperada poderia resolver todos os problemas de Isabela. Porém, a exigência de sua tia para que a recebesse, mudou sua vida completamente.


MÚSICA QUE INSPIROU A HISTÓRIA:






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Capítulo 1 - Uma Notícia Inesperada

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- Belinha, meu amor! Levante e brilhe para um novo dia!
Era desse jeito que Isabela era acordada todos os dias. A voz amorosa da tia a despertava, e ela se espreguiçava na cama. Depois jogava o lençol para o lado, e se levantava de um pulo só.
Tia Carmen e Tio Zé tinham criado e paparicado a sobrinha desde que ficara órfã aos sete anos de idade.
Não que Isabela fosse mimada. A educação primorosa dada pelos tios não permitia. Um pouco mal acostumada, talvez, a ter atenção absoluta e conseguir tudo que queria. Como a própria Tia Carmen sempre dizia:
- Ainda está pra nascer pessoa mais obstinada do que essa menina!
Com a morte do tio dois anos atrás, eram só as duas no apartamento no Flamengo, e com a pensão da tia e o salário mixo do estágio de Isabela, estava cada vez mais difícil pagar todas as contas no final do mês.
Na verdade, Isabela estava começando a pensar em abandonar a faculdade e arrumar um emprego de verdade.
Saiu do quarto ainda esfregando os olhos. Chegando à sala, deu dois beijos na tia:
- Bom dia, titia!
Apertou a senhora carinhosamente entre os braços. Foi correspondida com o mesmo carinho e alegria:
- Bom dia, lindinha!
Como sempre, o café da manhã já estava esperando por ela na mesa da sala.
Serviu-se de leite e Nescau. Começou a bebericar o líquido distraidamente enquanto folheava o jornal.
Fez menção de levantar quando o telefone tocou, mas Tia Carmen a impediu com um gesto de “deixa comigo, termina seu café”, e atendeu:
- Alô? É ela. Sim...
Não prestou atenção na conversa da tia. Tinha combinado passar o dia de folga com Cris. Fazia muito tempo que não ficava um dia inteirinho com a namorada, os horários das duas simplesmente não batiam.
Na verdade, o relacionamento estava meio no ponto morto. Morno, sem grandes entusiasmos, muito diferente do fogo do início. A experiência de Isabela dizia que precisava dar um jeito naquilo, que não podiam continuar assim.
Não que reacender a paixão entre elas fosse algo difícil. Nunca tinham tido problemas na cama. Ao contrário de em todos os outros aspectos. Cris e ela eram extremos opostos. Pólos magnéticos contrários, e exatamente por isso, tinham sofrido, assim que haviam se conhecido, uma atração irresistível, que tinha culminado no namoro de dois anos repleto de momentos absolutamente inesquecíveis.
Os lábios de Isabela se abriram num sorriso de antecipação. Pensando em mil formas deliciosas de usufruir do final de semana, e recuperar o tempo perdido.
Foi quando a tia desligou o telefone e se atirou na cadeira mais próxima, tão pálida que Isabela levantou, preocupada.
- Nossa, o que foi, titia?
Tia Carmen levou a mão ao coração. Sem ar, como se lhe falhasse a respiração. Com muito esforço, conseguiu gaguejar:
- A Guida... A Guida faleceu...
Antes de cair num choro baixo e sofrido.
Isabela imediatamente abraçou a tia, tão perplexa quanto ela. Tentando digerir a notícia.
A irmã de Tia Carmen, Guida, vivia isolada em num sítio no interior de Goiás. Solteirona convicta, uma quase reclusa, com cara de poucos amigos.
Isabela tinha passado uns tempos com ela no tal sítio quando os pais morreram, mas logo depois tinha ido morar com Tia Carmen e Tio Zé.
Na verdade não se lembrava direito, pois essa era uma época de sua vida muito confusa e triste, da qual quase não tinha lembranças. Nem queria.
Só depois que os soluços cessaram e Tia Carmen pareceu um pouco mais tranquila, se permitiu perguntar:
- Como assim, morreu? Como? Do que?
Tia Carmen respirou fundo. Lançou para Isabela um olhar desolado, muito mais do que triste, antes de finalmente esclarecer:
- Num acidente, parece. Estava montando e caiu. Morreu na queda, nem chegou a ir para o hospital. Guida sempre foi louca por cavalos, desde menina. O enterro foi ontem. Não adianta mais irmos. Quem ligou avisando foi um advogado que, não sei por que, quer que você vá ao escritório dele o mais rápido possível.
Isabela não disse nada. Nem precisava. Tia Carmen a conhecia bem o suficiente para entender o que se passava na cabeça da sobrinha. Tanto que frisou:
- Hoje, Belinha.
Sem conseguir disfarçar o quanto estava contrariada, Isabela desabafou:
- Logo hoje?
Mas Tia Carmen insistiu:
- Ele disse que é urgente.
Isabela fez uma careta, porém sabia que a tia não ia sossegar enquanto ela não concordasse em ir. Informou, resignada:
- Tá, então vou agora, quero me ver logo livre disso. Só preciso dar um telefonema e me vestir.
Tia Carmen se ofereceu daquele jeitinho dela que não admitia contestação:
- Eu vou com você.
Depois de concordar com um aceno de cabeça, e beber um último gole da xícara na frente dela, Isabela foi para o quarto.
Um pouco chateada, por que... Sabia que Cris não ia gostar nada de ficar esperando, mas fazer o que?
Pegou o telefone e apertou o botão de “redial” – tinha ligado para a namorada antes de dormir.
O tom de voz sonolento do outro lado deixou claro que Cris ainda estava acordando:
- Alô?
Foi só o que ela disse. Com o tom mais carinhoso possível, Isabela respondeu:
- Oi, amor... Bom dia!
Uma pequena pausa. Provavelmente para Cris tirar a máscara nos olhos com que sempre dormia: 
- Bom dia, amor! Ainda nem levantei... Já tá vindo pra cá, né?
Isabela engoliu em seco:
- Na verdade preciso resolver um negócio com a minha tia antes, mas...
Cris nem a deixou completar. Com a voz já alterada, quase gritou:
- Porra, Isa! Você prometeu! Eu não acredito!
Bastava uma pequena contrariedade para Cris começar a dar o showzinho de sempre. Exatamente por isso, depois de dois anos, amansar a fera era algo que Isabela sabia fazer muito bem:
- Poxa, amor... É rapidinho. Juro que daqui a pouquinho eu tô aí...
Funcionou. A voz de Cris melhorou um pouco:
- Tá, mas não demora!
Não o suficiente. Isabela redobrou os esforços, nem um pouco a fim de ficar ouvindo milhares de reclamações depois:
- Tô louca pra chegar aí! Te amo! Muito, muito, muito!
E resolveu a questão. Cris se derreteu toda:
- Eu também, amor! Vem logo!

***

Saiu de casa quase arrastando a tia. Estava com pressa, queria resolver tudo o mais rápido possível.
Quando chegaram ao escritório do tal advogado, a recepcionista pediu que aguardassem um pouco na sala de espera.
Instalaram-se lado a lado no sofá. Tia Carmen achando graça na impaciência nítida da sobrinha.
Os olhos de Isabela procuraram várias vezes – tantas que perdeu a conta - o relógio na parede em frente durante os dez minutos que demoraram até que finalmente pudessem entrar.
O advogado, um senhor muito educado, pediu para que se sentassem antes de explicar:
- Muito boa tarde, eu sou o doutor Macedo, chamei as senhoras aqui porque estou em posse do testamento da senhora Margarida de Brito Oliveira. Ela deixou todos os bens, que incluem o sítio “Sol Nascente”, para a sobrinha, senhorita. Isabela Oliveira Morais.
Tia Carmen tapou a boca com a mão. Isabela arregalou os olhos, ainda sem acreditar:
- O quê?
O Doutor Macedo sorriu, e continuou:
- A senhorita é a única herdeira.
Tia Carmen deixou escapar, como se pensasse alto:
- Essa Guida! Sempre cheia de surpresas!
Perplexa, Isabela tentou confirmar:
- Mas então... Quando... O que eu... É tudo meu, de verdade? Assim, do nada?
Obrigando o Doutor Macedo a completar:
- Na verdade, a sua tia deixou uma cláusula no testamento com algumas condições.
Isabela e tia Carmen se entreolharam, surpresas e curiosas. Sem imaginar o que o Doutor Macedo iria dizer:
- Para que o sítio se torne realmente seu, a senhorita deverá administrar e morar nele, sem se ausentar, pelos próximos três meses.
Isabela chegou a se levantar. Sem nem perceber:
- Como assim?
A idéia de passar três meses embrenhada no meio do mato e ainda por cima deixando a namorada sozinha no Rio de Janeiro era absolutamente impensável.
Mas o Doutor Macedo informou:
- Caso a senhorita não o faça, automaticamente o sítio passará a pertencer à outra pessoa que consta na cláusula do testamento que sua tia deixou.
Tia Carmen também não gostou nem um pouco da idéia da irmã. A última coisa que queria era ver a sobrinha querida isolada tão longe, num lugar ermo. Quase gritou:
- Outra pessoa? Que outra pessoa? Essa Guida, realmente, nunca teve juízo!
Do alto de sua imparcialidade de advogado, o Doutor Macedo leu no papel que segurava:
- “A senhora Fernanda Quintanilha, proprietária da fazenda vizinha, e minha grande amiga.”
Tia Carmen não se conformou:
- Grande amiga? Mas a Guida era quase uma eremita! Afinal, o que é que estava se passando na cabeça da minha irmã? Isso não está certo, é um absurdo, isso é o que é!
Isabela voltou a se sentar. Muito pensativa. Os olhos fixos no nada, enquanto ouvia:
- Sinto muito, ela deixou bem claro. A senhorita Isabela tem exatamente setenta e duas horas para chegar no sítio. Caso contrário...
As palavras do advogado fizeram Isabela reagir:
- A tal senhora Fernanda fica com tudo. Tá, eu já entendi! Não temos opção, titia, eu tenho que ir!
Tia Carmen tentou protestar:
- Mas, Belinha...
Porém, Isabela estava irredutível. Sabia que não tinha opção. Precisava pensar no futuro, dela e da tia. Resolveu agarrar com todas as forças a oportunidade que lhe era oferecida:
- Eu vou.
Essa era a única certeza que tinha. No resto, pensaria depois.
O Doutor Macedo encerrou o assunto de forma muito simples:
- Vou avisar aos empregados do sítio sobre a sua chegada então.



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Capítulo 2 - Uma Herança que Incomoda Muita Gente


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Tia Carmen discutiu durante todo o caminho de volta, tentando convencer a sobrinha que aquilo tudo era absurdo.
- Afinal de contas, o que uma garota da cidade entende de sítios? O que você vai fazer lá, Belinha, no meio daquela gente da roça e um monte de bichos?
Mas quando Isabela colocava uma idéia na cabeça ninguém tirava.
Eram apenas três meses de sacrifício, e depois disso poderia vender o tal sítio, terminar a faculdade sem problemas, e também dar uma vida melhor para a tia, que afinal de contas, bem que merecia.
Realmente, não entendia nada de vida rural. Era tão absolutamente urbana que nunca tinha visto uma galinha, muito menos uma vaca ou um porco de perto. Mas... Possuía disposição e boa vontade o bastante para aprender rapidamente o necessário para enfrentar aquilo que parecia um universo distante e totalmente desconhecido.
Bem no fundinho tinha a esperança de levar Cris junto. Aí sim, não seria sacrifício nenhum.
Mas se a reação da tia tinha sido ruim, pior ainda foi a da namorada:
- Se você for tá tudo acabado, tá me ouvindo?! Acha mesmo que eu vou ficar três meses aqui sozinha, esperando pela senhorita?
Isabela tentou usar a tática de sempre. Adoçou a voz, colou o corpo no de Cris, beijou-a com ímpeto, a ponto de ficarem sem ar e terem que se separar para respirarem. Subiu os lábios pelo pescoço dela, em direção ao ouvido, onde sussurrou, com o tom de voz mais irresistível possível:
- Ah, amor... Você sabe que sem você eu não vivo... Vem comigo...
Incrivelmente, pela primeira vez não funcionou:
- Nem morta! Você pode escolher: ou eu, ou esse sítio idiota!
Isabela ainda tentou explicar:
- Cris, você sabe que eu não posso, eu preciso do dinheiro.
Mas Cris estava irredutível:
- Não quero saber, faça a sua escolha!
Foi o bastante para Isabela perder o restinho de paciência que tinha. Gritou, brigou, discutiu. Depois pediu desculpas, se humilhou, suplicou. Inútil.
Cris repetiu:
- Ou eu ou o sítio.

***

Depois de ser expulsa da casa da namorada – ou melhor: ex-namorada, porque não abriu mão da herança, afinal, era a única chance que tinha de melhorar de vida - ficou andando pelo calçadão de Copacabana meio sem rumo, a cabeça a mil.
Chegou em casa já de noite, e se trancou no quarto sem querer falar com a tia. Enfiou a cabeça no travesseiro e chorou até dormir.
Passou o dia seguinte resolvendo coisas.
Trancou a faculdade, avisou no estágio que não iria mais, comprou a passagem, fez as malas...
De Tia Carmen foi a interminável choramingação para que ela não fosse, para que esquecesse:
- Essa última loucura da Guida!
De Cris nem telefonema, nem e-mail, nem torpedo, nem mensagem, nem nada.
Viajou com o coração apertado, sem o apoio de ninguém, se sentindo absolutamente sozinha. Como nunca, nem mesmo depois da morte dos pais, havia se sentido.
Mas não tinha como voltar atrás. Por isso, e só por isso, se manteve firme em sua decisão. Xingando mentalmente durante todo o caminho, por que:
- Se a intenção da tia Guida era bagunçar a minha vida inteira, com certeza, conseguiu!

***

A viagem em si não foi cansativa. Fisicamente não. Emocionalmente... Bom...
Sem dormir direito as duas últimas noites, arrasada por Cris ter terminado com ela, e sem saber ao certo o que a esperava, Isabela chegou exausta.
A vontade de gritar que sentia só aumentou quando viu o estado em que o sítio estava: velho, decadente, só não parecia abandonado porque tinha um senhor e duas moças coradas e risonhas esperando por ela na varanda em frente ao que parecia ser a porta principal.
Estendeu a mão, com o sorriso mais simpático possível:
- Oi. Eu sou a Isabela.
As duas moças responderam juntas, ou melhor: meio que dividindo a frase:
- É a sobrinha da Dona Guida, que Deus a tenha! Seja bem vinda!
De uma forma que fez Isabela se questionar se pensavam juntas, ou quem sabe, se dividiam o mesmo cérebro.
Arrependeu-se do pensamento maldoso na mesma hora, por que... As duas pareciam muito simpáticas. Ela é que estava azeda por tudo que tinha acontecido.
Esforçou-se em voltar a sorrir:
- Obrigada.
Elas se apresentaram:
- Nós somos Rosa e Janaína.
Mas Isabela continuou sem saber identificar uma da outra.
Completaram:
- Esse é o Roque.
O senhor fez um cumprimento simples com a cabeça, olhando para baixo. Isabela estendeu a mão, dizendo:
- Muito prazer.
Ele apertou a mão dela, ainda mais sem jeito. Depois se desculpou, como se quisesse sumir:
- Com licença, moça, tenho umas coisas pra fazer...
E saiu – ou melhor: fugiu - rapidinho. Parecia excessivamente tímido e reservado. Ao contrário das moças:
- Vamos entrando, dona Isabela.
Isabela foi atrás das duas, que tanto insistiram que carregaram todas as malas sozinhas.
Falavam sem parar sobre tia Guida, sua morte, o enterro, sempre daquela forma estranha de uma terminar a frase da outra.
A sala era mobiliada por uma mesa de jantar grande com seis cadeiras de madeira pesadas e antigas, um sofá e duas poltronas de couro e uma cristaleira que absolutamente não combinava com a rusticidade do resto, mas... Naquele momento, decoração era a última coisa na qual Isabela estava pensando.
Uma música sertaneja altíssima ressoava pela casa, provavelmente vinda da cozinha, fazendo a vontade de gritar voltar ainda mais forte, acompanhada pelo desejo de desistir de tudo e simplesmente fugir dali.
Mas disfarçou e controlou muito bem o que sentia. Continuou sorrindo para as duas, fingindo apreciar o tour pela nova moradia que a cada passo parecia mais e mais horrível.
As duas moças mostraram o resto da casa: cozinha, dois banheiros, dois quartos de hóspedes, o quarto da tia, que segundo exclamaram, juntinhas, estava:
- Exatamente como dona Guida - Deus a tenha! – deixou.
Finalmente, chegaram ao último quarto, preparado para Isabela. A única boa notícia, por que... De jeito nenhum ia ficar no quarto da “falecida”.
- Agora vamos deixar a senhorita descansar um pouco. A gente chama quando o almoço ficar pronto.
Enquanto elas depositavam as malas perto da cama, Isabela murmurou um automático:
- Obrigada.
Assim que as duas saíram fechando a porta, deixou escapar um profundo e desesperado suspiro.
Olhou desolada para o cômodo que nos próximos três meses lhe serviria de quarto: rústico, simples, com uma grande cama de casal que ocupava quase todo o espaço, duas mesinhas de cabeceira, cada uma com um abajur em cima, um armário também de madeira escura como todo o resto, e só.
Escancarou a cortina florida, deixando um pouco de claridade entrar. Riu, para não chorar, da música deprimente que continuava vindo da cozinha, enquanto abria a janela.
Olhou para a vista. Em qualquer outra situação, teria achado linda. Se estivesse acompanhada, ou de férias, seria perfeito, um verdadeiro idílio.
Porém, o chão plano, a se perder de vista, criou nela uma sensação de solidão terrível.
Ampliando a impressão de perda, de vácuo, de vazio.
Sentiu falta dos prédios, da poluição, das buzinas, de gente amontoada nas calçadas, dos engarrafamentos, do Cristo de braços abertos sobre a cidade, da tia e, principalmente, de Cris.
Deitou na cama pensando que provavelmente a essa hora a namorada deveria estar na praia de Ipanema, em plena Farme, exibindo o corpinho.
Enfiou a cara no travesseiro e começou a chorar. Completamente infeliz, como nunca tinha se sentido na vida.

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Capítulo 3 - Um Encontro Surpreendente

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Acordou com batidas na porta.
As lágrimas a tinham embalado, fazendo com que Isabela adormecesse sem querer.
Nesse pouco tempo de sono conseguiu esquecer de que estava sozinha, no meio do nada, escutando... - o que diabos era aquilo? Passarinhos? - e odiando a miserável da tia Guida!
O ressentimento contra a falecida foi afastado pelas duas vozes, sempre em jogral, que anunciavam:
- Dona Isabela, o almoço tá na mesa!
Com um esforço imenso, conseguiu se levantar. Afastou o último resquício de depressão de uma forma muito mais do que rápida. Não era mulher de se abater, por pior que fosse a situação.
Sentou-se à mesa da sala, que parecia imensa para um só prato. Convidou:
- Vocês não querem almoçar comigo?
Pouco se importando se deveria ou não dar intimidade às novas e ainda desconhecidas empregadas.
Rosa e Janaína riram um bocado. Antes de finalmente explicarem:
- Já comemos faz tempo. Daqui a pouco vamos é lanchar.
Isabela então se serviu. Tentou comer, não querendo ser indelicada.
Mas não descia.
Não que a comida estivesse ruim, pelo contrário, mas... A mesa vazia, e o radinho infame que não parava de tocar, a fizeram sentir uma nostalgia terrível.
Rosa e Janaína perguntaram, preocupadíssimas:
- A senhorita não gostou da comida?
- Gostei sim, é que eu comi no caminho. – mentiu, sem querer deixar as duas chateadas - Tem alguma cidade próxima?
- Cidade, cidade, não, mas tem uma vila a uma meia hora daqui.
- Meia hora andando?
- Não, de carro, né? Andando é mais tempo...
- E tem algum... É... Ônibus, ou sei lá... Alguma condução que me deixe lá?
As duas riram, achando muita graça na pergunta da mocinha da cidade grande acostumada a ter ônibus, metrô, táxi...
- Tem a “jubiraca”.
Isabela não fazia idéia do que diabos era “jubiraca”, mas seguiu as duas até atrás da casa, onde mostraram uma caminhonete velha que parecia um dia ter sido azul.
- Era da dona Guida.
A “jubiraca”, como o sítio, como tudo que tia Guida tinha deixado, era um lixo.
Mas Isabela queria muito dar uma volta, conhecer a tal vila, espairecer a cabeça um pouco, por isso resolveu que não custava nada tentar.
Por dentro o estado da caminhonete era ainda pior: o banco rasgado em vários lugares, a carroceria tão enferrujada que Isabela jurava que poderia a qualquer momento cair com banco e tudo no chão. Inacreditavelmente, o motor ligou, ela passou a marcha e, seguindo as instruções que as duas tinham dado, saiu estrada afora.

Foi bem fácil chegar na vila, que por sinal nada mais era do que uma igreja, uma farmácia, um mercadinho, uma padaria e algumas casas em volta de uma praça. Sentou na pracinha sem se importar com o fato de todas as pessoas que passavam olharem para ela. De vez em quando um sussurro mais alto: é a sobrinha da Guida... Chegou hoje do Rio de Janeiro... Veio tomar conta do sítio...
Comprou um sorvete na padaria e deu mais uma volta na praça antes de voltar para casa.
Vinha contente pela estrada, sem pensar em nada, quando na metade do caminho, a “jubiraca” resolveu morrer. Tentou várias vezes fazer o motor pegar novamente e nada.
Já xingando mentalmente tia Guida, se deu conta que estava parada no meio de uma estrada de terra com nada a sua volta e um sol escaldante na cabeça.
O jeito era andar. Não que fosse problema, estava mais do que em forma, super acostumada a correr na esteira, mas o par de sandálias que estava usando não ajudavam. Depois de uns vinte minutos e algumas centenas de impropérios contra tia Guida, o esfregar dos dedos contra o couro da sandália já tinha rendido algumas bolhas.
Se não tivesse escutado um galope antes de olhar para trás, pensaria que o sol a estava fazendo ver coisas.
A visão era impressionante: uma mulher ofuscantemente linda, montada num magnífico cavalo negro, com os cabelos vermelhos esvoaçantes.
- Perdida? - ela perguntou.
- Ãh? - foi só o que Isabela conseguiu responder.
- Tá perdida, moça? - e como ela não respondesse: - Tá se sentindo bem?
Rápida, com uma agilidade surpreendente, a mulher desceu do cavalo. 
Isabela só pensava no estado lamentável em que deveria estar, toda suada, descabelada, o rosto vermelho do sol e os pés em frangalhos...
A mulher, por outro lado, era ainda mais interessante de perto, com a camiseta e a calça tão justas que deixavam todas as curvas do corpo perfeito desenhadas. Botas de montar até os joelhos completavam o quadro avassalador.
- O que faz aqui, no meio do nada?
- Meu carro quebrou, então o jeito foi andar.
- Andar? Com essas sandálias?
O olhar que ela lançou para Isabela deixou claro que a achava uma completa e total idiota da cidade.
- Vai pra onde?
- Pra casa...
Antes que pudesse completar a frase, a mulher lançou um olhar impaciente, como quem diz: “tudo bem, mas onde fica isso?”
- Sítio do Sol Nascente.
Isabela percebeu que até então a mulher ainda não a tinha olhado de verdade.  Os olhos castanhos avaliaram-na de cima a baixo, com um misto de surpresa, curiosidade e algo mais que Isabela não conseguiu desvendar.  Depois se fixaram profundamente nos dela, enquanto dizia:
- Eu te levo.
Montou novamente no cavalo, com uma destreza impressionante, e estendeu a mão. Isabela, que nunca na vida tinha andado a cavalo, hesitou:
- Melhor não.
- Nunca montou?
O arzinho de superioridade da outra já estava irritando Isabela. Ia dar a resposta merecida, quando, com um sorriso irresistível, a mulher disse num tom de voz quase carinhoso:
- Vem. Pode confiar.
Segurar a mão que a outra estendia para ajudá-la a montar causou em Isabela um arrepio gostoso, mas melhor ainda foi sentar atrás daquela mulher linda no cavalo. Usando o medo como desculpa, passou os braços em torno da cintura dela com força, colando totalmente os dois corpos no abraço. Fechou os olhos e curtiu aquela sensação deliciosa do vento batendo em seu rosto e a intensidade do corpo quente da outra contra o dela.
- Chegamos.
Abriu os olhos, e viu com surpresa que já estavam paradas em frente ao sítio.
- Obrigada. - Isabela disse, desmontando, bastante sem graça.
- Disponha.
- Meu nome é Isabela.
- É, eu sei. Eu sou Fernanda.
Virando o cavalo, Fernanda foi embora deixando Isabela estática. 
A amiga da tia Guida não era nenhuma senhora como ela pensava. A mulher que herdaria o sítio caso ela falhasse, não era ninguém menos que a jovem, linda e incrivelmente atraente ruiva que em um único encontro já deixara Isabela totalmente fascinada.


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